PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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Nome: Pitter Lucena
Local: Brasília, Distrito Federal, Brazil
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Quinta-feira, Julho 16, 2009

COLETIVO BRASIL

Duas vezes por semana ando de ônibus em Brasília porque minha filha utiliza o carro na aula da faculdade no período noturno. O meu trajeto, claro, do trabalho para casa, distante 40 quilômetros. Nesta terça-feira foi um dia daqueles, digo daqueles de pagar pecados e outras cositas mas. O coletivo que sempre pego passa as cinco da tarde, mas na terça resolveu não aparecer. Fiquei esperando no ponto, observando as pessoas como elas conversam, reclamam, cochicham, se maldizem, esperneiam, e por ai vai. E, nada do meu ônibus expresso que passa perto da minha casa. Acho que quebrou, pifou, ou coisa assim. Não apareceu na hora marcada e a situação ficou ruim.

Peguei o primeiro que apareceu, já lotado, para não ficar sofrendo ao sol das cinco da tarde no ponto de ônibus do Senado Federal. Queria chegar em casa e, na ansiedade, entrei e pensei minha casa me espera. Que nada, o maldito começou a rodar por caminhos diferentes do meu itinerário, parando aqui, ali, acolá e tome eu em pé com meus problemas de coluna. A idade faz isso com a gente, mais cedo ou mais tarde ela bate à sua porta e já era. Sacoleja de um lado, de outro, muita gente vira sardinha enlatada, mas o caminho continua. Na primeira metade do trajeto sempre entrando gente e tome a se avolumar no rabo do coletivo onde estava este abestado.

Fiquei em pé próximo à porta de saída. De um lado uma senhora ouvindo música no celular, do outro uma mulher baixinha, menor do que eu, cara de não boas amizades que pelo semblante dizia tudo sobre o sofrimento de estar ali, naquele imprensado, não reclamava, não dizia nada. Quando você está nessa situação, a primeira coisa que deve fazer é não tirar o pé do chão, se tirar já era, o lugar que era seu fora ocupado por alguém próximo de você e bau bau cachimbo de pau. Virou Saci Pererê.

Continuo segurando a barra. Na minha frente, sentada, uma mulher que se fazia dormir para não oferecer a cadeira para uma criança ou uma pessoa idosa. Tava na dela. Tive a infeliz idéia de mastigar um chiclete, pensando em distração. Que nada. Depois de 50 minutos a borracha na boca e as dores na coluna eram infernais. Que fazer? Não há nada que seja proveitoso nesse momento. Para aqui, desce ali e o sofrimento aumentando.

Mas é nesse inferno passageiro que vemos um mundo diferente. No para e desce e para e sobre um Brasil se revela diante de si. São cearenses, acreanos, maranhenses, piauienses, de todas as raças e credos ocupando um mesmo lugar. Que coisa linda observar as conversas, os sotaques, os olhares, as delicadezas, as rudezas, roupas, sapatos, cheiros e cores. É num coletivo lotado, com gente se esfregando nas suas costas, que nota-se um mundo novo e velho ao mesmo tempo. Velho para as pessoas que vivem isso todos os dias, novo para quem entra na brasilização nossa de cada dia.

Nesse vai e vem da freada do ônibus que se ver a beleza das pessoas trabalhadoras, dos sonhos de cada uma delas, da pureza de pensamento que ao chegar em casa busca sentir a alegria dos filhos, da família e de ter vivido mais um dia. Na cidade grande o maior prêmio é retornar ao lar são e salvo na certeza de um amanhã melhor. Por essas razões acredito que cada nascer do sol o brasileiro é mais brasileiro porque não desiste nunca.

Depois de mais de uma hora, dores insuportáveis, mas imaginando um Brasil mais bonito desço no meu destino e ando mais um quilômetro para chegar em casa, antes, porém, paro num boteco para uma boa cachaça, porque ninguém é de ferro.

Segunda-feira, Julho 13, 2009

VALE A PENA

Não sou quem atira,
Pois, não é desejo meu ferir
Sou o ativado,
O que quer ser abatido,
Consumido em vida.

Sou o tempo
Que o tempo consome
No existir das coisas.
Uma existência
Para além do horizonte.

Sou quem sabe,
Um entre tantos,
Embalados no viver.
Talvez uma forma
De expressar meu ser.

Sou e estou fazendo história
Mesmo num mundo pequeno
Posso mudar um móvel de lugar.
Posso mudar o tempo com o presente
Em busca de um futuro. E já é passado.

Cícero Fernandes

Terça-feira, Junho 30, 2009

PREOCUPAÇÕES

Quando nos defrontamos com diversos desafios do cotidiano, por vezes nos surpreendemos em estado de preocupação.

São as questões domésticas, as profissionais, as sociais. São muitas coisas a pesar sobre nossos sentimentos, nossos pensamentos, nosso humor.

São problemas que envolvem os filhos, o vestibular, a viagem para o Exterior, o novo curso que ele deverá começar. São tantas incertezas...

O garoto conseguirá superar todas as etapas? E se não conseguir, como reagirá?

A filha começou a namorar. Dará certo desta vez? E se não der, cairá novamente em depressão?

O novo chefe tem ideias diferentes das nossas a respeito de muitas coisas. Como isto refletirá em nossa carreira? Estará garantido nosso emprego?

E a festa de aniversário a preparar? Ficará tudo pronto a tempo e a hora?

Vale parar um pouco e meditar a respeito desse fenômeno que se chama preocupação e que consome muitas de nossas energias.

Se a causa for válida, convertamos a preocupação em ação positiva, em vez de ficar a remoer o desafio que se apresenta.

Se a causa da preocupação não for legítima, se nosso estado psicológico se prende ao desejo de posse, ao ciúme, à falta de fé em Deus ou qualquer capricho nocivo à saúde da alma, desliguemo-nos dessa sintonia, que somente nos trará desespero, mágoa, indiferença.

Se persistirmos no estado de preocupação, poderemos adoecer ou realizar atos de que, mais tarde, nos arrependeremos.

Quando alimentamos exagerado desejo de posse ou quando elegemos objetos como pontos de felicidade, poderemos perder o exato objetivo de nossa vida na Terra.

Afinal, não nos encontramos aqui para usufruir, mas para nos disciplinarmos, para nos educarmos e bem utilizar o que nos chegue e como chegue.

Desse modo, estudemos com clareza os motivos das nossas preocupações e consideremos que o Celeste Amigo já prescreveu, há muito tempo, que a cada dia já basta o seu mal.

Na certeza de que estamos no mundo a fim de aprender, crescer e amar, não nos permitamos sucumbir ante problemas de saúde, dificuldades financeiras, mal entendidos ou questões familiares.

Aprendamos a resolver um após outro os problemas, recordando que, às vezes, o tempo é o melhor remédio para as dificuldades.

Entreguemos as nossas preocupações ao Criador e marchemos adiante, aguardando as luzes dos novos dias, que sempre brilham após as horas de sombras e desalento.

Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário.

Ele nunca deixa ao abandono os que Nele confiam.

Se nem sempre nos dá o auxílio material, sempre inspira as boas ideias para que encontremos os meios de sair da dificuldade.

É a Divina Providência, sempre alerta e a postos.

Momento Espírita

Terça-feira, Junho 23, 2009

Sobe pressão por abertura de todos os arquivos do Araguaia

No ESTADO DE S.PAULO

A divulgação pelo Estado dos documentos sobre a repressão à Guerrilha do Araguaia guardados durante 34 anos pelo oficial da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o Major Curió, aumentou a pressão pela abertura de todos os arquivos sobre o conflito e também pela busca e identificação dos corpos dos guerrilheiros executados pelo regime militar.

Representantes de entidades de direitos humanos dizem que a abertura do arquivo de Curió força o governo a identificar os restos de corpos retirados em 1996 e 2001 de cemitérios na região de Xambioá, onde ocorreu o conflito, entre 1972 e 1975. Dez restos de corpos esperam por identificação nos armários do Ministério da Justiça.

"A informação dele demonstra que os arquivos existem e que não é correta a afirmação eventual de que é difícil achar os corpos. Tem um caminho a ser percorrido para encontrar os corpos e encerrar esse capítulo obscuro e violento do País", disse o ministro da Justiça, Tarso Genro. Desde o fim do governo militar (1964-85), a falta de arquivos e de informações oficiais é apontada como obstáculos à busca dos corpos dos guerrilheiros e da revelação do que ocorreu na repressão.

O secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, afirmou que a entrevista de Curió deve ser aproveitada para que se corrija o rumo da expedição comandada pelo Ministério da Defesa na busca pelos corpos. Vannuchi quer que o ministro Nelson Jobim aceite a participação da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, de representantes de familiares e do Ministério Público na expedição do Exército. Vannuchi pedirá, hoje, a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Jobim, que estava em viagem à Europa, divulgou apenas uma declaração: "Toda colaboração com elementos para ajudar na elucidação dos fatos é extraordinária. Nós apoiamos e estimulamos divulgações como essa".

Documentos do arquivo de Curió publicados pelo Estado contrariam versão militar de que os 67 guerrilheiros mortos estavam de armas na mão quando morreram. De acordo com o arquivo do oficial, 41 foram executados depois que estavam presos e não ofereciam risco às tropas.

"A revelação entra na mesma linha que estamos trabalhando: para haver reconciliação, tem de buscar a verdade. Não se pretende procurar culpados individuais, mas desvendar a operação e achar os corpos para que se consiga encerrar esse processo doloroso", afirmou Genro, que pretende buscar mais dados com Curió.

O ex-deputado Aldo Arantes, representante da Fundação Maurício Grabois, ligada ao PC do B, diz que a reportagem contribui para acelerar as medidas de identificação de ossadas. "Esses novos elementos levantados agora vão facilitar o esclarecimento dessas ossadas." Arantes disse que foi "surpreendido" pelas declarações de Curió. "A atitude respeitosa dele em relação aos guerrilheiros me surpreendeu. Ele não chamou os guerrilheiros de terroristas." Na Câmara, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Pedro Wilson (PT-GO), vai pedir que Curió seja convidado para expor os documentos sobre a Guerrilha do Araguaia que está em seu poder. "Se ele se dispuser a falar, será um salto no sentido de temos acesso a documentos importantes. Não queremos revanchismo", disse.

Ex-guerrilheiro, o deputado José Genoino (PT-SP), preso em 1972 durante a primeira campanha militar na região, afirmou que a reportagem confirma fatos e dá novos detalhes. "O governo já está com um conjunto de informações para prestar contas às famílias. O direito à memória e à verdade tem de ser garantido sem qualquer tipo de revanchismo", disse.

Terça-feira, Junho 16, 2009

NÃO À MORTE

Aquiles, o guerreiro,
tinha no calcanhar
a fragilidade.
O poeta,
No coração e na alma.

Ferido,
as palavras
o fogo que o faz
ressuscitar da morte.
Amar como castigo.

Ri da própria desgraça,
não com risos,
mas com picardia.
Nas palavras diz e constrói
seu retorno à vida.

Segue sendas.
Um novo amor.
Quem sabe não encontrará
um que faça eterna a existência.

Externar sua tristeza,
Na forma de palavras,
nas quais objeta,
estampar viva a memória.

É!
O poeta existirá sempre.
É que as palavras tornam-se
eternas nos lábios que lêem.
nos olhos que as levam à alma.

Não morrem as palavras.
Não morre o desejo.
de alcançar a musa.
Atingir-se mortalmente.


Não morre o poeta
Não pode morrer, em razão,
De o viver preservar-lhe o dom
De ter dito à morte, que é a vida.

Cícero Fernandes

Terça-feira, Junho 09, 2009

DICAS PARA INCREMENTAR SEU CURRICULUM

Você acha que não te contratam em uma grande empresa porque seu currículo é muito fraquinho? Seus problemas acabaram. Ter um currículo brilhante é muito simples, basta fazer algumas substituições no título da sua profissão.

Aí estão algumas dicas para dar um plus no seu CurriculumVitae, apenas falando de seus empregos anteriores:

- Especialista em Marketing Impresso - boy de xerox

- Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde - faxineiro

- Coordenador de Movimentação Interna - porteiro

- Coordenador de Movimentação Noturna - vigia

- Distribuidor de Recursos Humanos - motorista de ônibus

- Distribuidor de Recursos Humanos VIP - motorista de táxi

- Agente Executivo de Transporte Vertical - ascensorista

- Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas - a tia da limpeza

- Especialista em Logística de Energia - Combustível - frentista

- Operador de Serviços de Engenharia Civil - peão de obra

- Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil - assistente de peão

- Especialista em Logística de Documentos - office-boy

- Especialista Avançado em Logística de Documentos - motoboy

- Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos - vidente

- Técnico de Marketing Direcionado - distribuidor de folhetos nos semáforos

- Especialista em Logística de Alimentos - garçom

- Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos - gandula

- Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade - camelô

- Técnico Saneador de Vias Públicas - gari

- Técnica em Entretenimento Masculino - puta

- Técnica Executiva em Entretenimento Masculino - puta de luxo

- Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino - travesti

- Supervisor dos Serviços de Entretenimento Masculino - cafetão

- Técnico em Captação e Redistribuição de Renda - ladrão ou político

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Los Porongas poem o Acre no circuito do rock brasileiro

RIO - A Amazônia, hoje, é pop e tem uma banda entre as melhores da cena indie nacional. Formado em Rio Branco, capital do Acre, o quarteto Los Porongas mescla rock, MPB e punk para embalar letras que por vezes retratam o cotidiano da cidade embrenhada na maior floresta do planeta.

- O grande desafio é se locomover. De Rio Branco, a única outra capital para onde se pode ir de carro é Porto Velho (Rondônia). Sei de uma banda de Envira, na Amazônia, que pegou um barco para tocar fora de casa - conta o vocalista Diogo Soares, que há dois anos mora com os Porongas em Sampa, onde gravaram um DVD ao vivo, recém-lançado pelo projeto "Itaú Cultural".

Formado em 2003, quando a cena indie local era quase inexistente, o grupo logo viu que, para viver da música, não bastaria fazer música. Tinha que se mobilizar. No ano seguinte, eles organizaram o Guerrilha Rock Festival, em Rio Branco, que estimulou bandas locais e deu origem a outros eventos. O rock estilístico dos Los Porongas atraiu atenção, e os caras caíram na estrada. Arrebataram festivais pelo Brasil e lançaram um elogiadíssimo primeiro CD, em 2007. Agora, preparam um segundo e já têm sete músicas prontas.

- A trajetória da banda tem a ver com a história da planta que, para crescer, busca a luz em meio ao concreto. Desde o início, buscamos condições para viver da música - explica o compositor do grupo, que faz show no Rio em setembro, no projeto "Quintas no BNDES".

Um pouco causa, um pouco consequência da cena do Norte, o grupo é composto por músicos de duas gerações. Diogo e João Eduardo (guitarra) foram parceiros num festival universitário e chamaram os veteranos Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria) para a banda, que tem nas influências o maior patrimônio. Anzol e Magrão viveram os primórdios do punk acreano, há 20 anos. Já Diogo ouviu muito Caetano Veloso e Maria Bethânia, além dos mais recentes Nação Zumbi e Radiohead. Led Zeppelin, Beatles e Sonic Youth se misturam à receita desse quarteto, já comparado a Mutantes e Secos & Molhados.

- Nossas influências musicais se juntam naturalmente. Assim como é espontâneo escrever sobre elementos que sempre nos cercaram - diz Diogo, que explica o nome do grupo. - Poronga é um tipo de lampião que o seringueiro usa para iluminar o caminho. E usamos o artigo em espanhol por causa da proximidade com a fronteira da Bolívia.

Em Rio Branco, conta ele, você dirige cinco minutos e está no mato, em beira de rio ou ao pé de uma cachoeira. O cenário bucólico aparece em músicas como "Ao cruzeiro" (das frases "Escadarias amazônicas a Marte" e "Ver a cena da canoa"); e na bela "Quando o inverno passar" (que diz "E verei o meu rio secar, secar"). Nas canções novas, porém, a paisagem de concreto paulista vai ganhar espaço.

- Estamos longe de casa. Esse vai ser o nosso disco de lamento sertanejo - brinca Diogo. - A maior diferença é o tempo. Aqui, é preciso calcular o tempo que se perde no trânsito. E não existe engarrafamento no Acre.
William Helal Filho – O Globo

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