PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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segunda-feira, outubro 01, 2007

JANELAS DO TEMPO

A crônica fez a fama de muitos escritores. Invadiu a imprensa e se transformou em objeto do desejo de muitos jornalistas. Houve momentos em que se tornou impossível distinguir o cronista do jornal ou da revista ou com os quais colaborava, da mesma forma como era impraticável pensar em revista ou jornal sem os cronistas preferido dos leitores. No fim de algum tempo, essa simbiose se tornou obrigatória em todo o mundo.

No Brasil, é claro, não poderia ter sido diferente. Com o passar dos tempos, os cronistas se transformaram em colunistas. E ter coluna cativa equivalia e a ter prestígio, fama e poder. Cronistas ou colunistas imperavam na imprensa que se prezava. Hoje, já não sabemos distinguir uns dos outros. A maioria dos leitores já não sabe se o cronista de hoje é o colunista de ontem ou se o colunista de ontem é o cronista de hoje.

Ao que parece, cronistas e colunistas são os jornalistas de hoje que ainda mantêm viva, a despeito da informática e da Internet, a antiga tradição da Imprensa que sobrevive desde que Gutemberg a inventou e a liberdade de consciência se tornou um dos apanágios da Democracia contemporânea.

É, longa, nobre e cheia de boas lembranças, a lista dos cronistas, como hoje é variada embora às vezes insossa a relação dos colunistas. Balzac foi cronista, como Émile Zola, que fez do J’Acuse! a mais famosa das crônicas de sua época. Esse, aliás, foi o caminho que deu fama à crônica e aos cronistas. Célebres como escritores, famosos como cronistas que, mais do que jornalistas, foram poetas, pensadores, autores, polígrafos.

Terá havido reportagens mais insinuantes que as crônicas de Hemingway? O que foi em suma nosso velho e venerado Machado de Assis, senão o mais fino dos cronistas de sua época, como jornalista e repórter, a ironizar a vida que imitava os personagens de seus imperecíveis romances e de seus contos inesquecíveis?

Hoje já não sabemos se as crônicas de Rubem Braga emularam as reportagens que de que Joel Silveira foi mestre, ou se as reportagens de mestre Joel inspiraram as crônicas do famoso cronista que foi mestre Braga. As aventuras e desventuras de um e de outro podem ser medidas pelos altos e baixos de uma época trepidante em que crônicas e reportagens disputavam espaço nos jornais e revistas em que imperavam pensadores, literatos e repórteres e escritores de todo calibre. Afinal, qual foi o escritor, dos mais nobres e refinados, aos menos reconhecidos e proclamados que não se fez repórter e quantos dos mais famosos cronistas, de que Castelinho foi um exemplo, não se fizeram como ele escritores de vasto e variado público?

Por trás de cada cronista seguramente há um jornalista, da mesma forma que sob a personalidade de cada jornalista se esconde um cronista.

O que não é comum nem usual, é que cada cronista e cada jornalista abrigue dentro de si um filósofo, um pensador e um ensaísta. Pois este é, justamente, o caso de Cláudio Porfiro, doutor em Filosofia, ensaísta, poeta e jornalista. Alguém com tantos e tão variados interesses intelectuais, que seria impossível tentar classificá-lo. Creio que a tanto não ousaria nenhum de seus amigos e nenhum de seus leitores, para não falar dos que, a essas condições, junta-se a de seus admiradores. Pois este é o inusitado de um intelectual e um pensador que não cabe na estreiteza dos rótulos e no convencional das classificações.

Melhor do que afirmá-lo, e mais apropriado ainda do que dizê-lo, é deixar os rótulos e classificações de lado e constatar, cada um dos que terão a ventura de ler seus livros, o quanto de verdade há na afirmação de que, rompendo os limites estreitos de nossos conceitos, Cláudio Porfiro é por suas qualidades, por sua prosa e por sua poesia, o mais qualificado dos cronistas que conhecemos, o mais clarividente ensaístas dos que já lemos e o mais didático dos filósofos de todos com os quais convivemos.

Cláudio Porfiro é muito mais do que isso. No fundo da alma, Porfiro não passa de um garoto que nunca esqueceu a vida de infância em Xapuri, mesmo depois de ter ganhado o mundo em busca do conhecimento e da felicidade. Felicidade essa que sempre esteve à sua espera nas ruas, nos amigos e da gente de Xapuri.

Ao abrir as páginas de sua cria Janelas do Tempo, que será lançado brevemente, Cláudio Porfiro escancara os sentimentos da vida de meio século de existência. Passeia leve e livremente pelo caminho das lembranças. Em uma de suas crônicas, ele afirma que não está ainda para escrever reminiscências. “Sou apenas um moço que já houve por bem atravessar meio século de vida bem vivida. Todavia, há dias em que umas lembranças muito ternas me vêm à memória. Às vezes me emociono. Às vezes divago um tanto... Mas findo por retratá-las em papel, em meu nome e em homenagem a tantos quantos povoaram e tornaram realidade os meus sonhos juvenis”.

Janelas do Tempo retrata os sentimentos de um jovem malandro, batizado de Cláudio Porfiro, um eterno apaixonado pela vida e as belezas do mundo. E foi em Xapuri que conheceu, verdadeiramente, as mulheres mais belas dos seus sonhos, com todo o respeito que cabe na alma deste poeta insano e cortês

Para Porfiro, pelo menos uma dentre tantas verdades não dói. Por isto, afirma que tem quatro pilares básicos que sustentam as suas rasantes sazonais. Primeiro, a família que lhe deu origem, depois, o doce lar e a mulher amada, depois, as escolas gratuitas que freqüentou ao longo dos anos e, enfim, o boteco, de onde jorram em borbotões frases de efeito e comentários que partem de espíritos altamente inteligentes e ligeiramente etilizados... E tudo isso é a minha cara, realmente, revela. Feito por encomenda, lá em Xapuri, papai houve por bem caprichar no produto made in seringal. Ora pois!...

Janelas do Tempo não é apenas uma obra de crônicas. É um apanhado de histórias, nossas histórias, resgatadas pela memória sensível de Porfiro e, claro, os amigos deverão degustar sua leitura em qualquer boteco.

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2 Comments:

Blogger GiselleXL said...

Pelo menos uma dentre tantas verdades nao deve doer mesmo..

Pitter, como vai??

Até então eu nao conhecia esse cronista... Aguardarei pelo lançamento do livro.

Até+!

um abraço

3:27 PM  
Blogger PITTER LUCENA said...

Pode aguardar. Está no prelo. Grande abraço.
Pitter Lucena

6:14 AM  

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