PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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terça-feira, agosto 07, 2007

MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Recebi com muito carinho uma carta do geógrafo Jairon Nascimento a respeito do artigo sobre a morte lenta do rio Acre postado neste humilde blog dia 6 de agosto. Como achei muito interessante resolvi publicá-lo na íntegra.

Prezado Pitter,
Tenho acompanhado, muito incomodado, as notícias distorcidas e/ou sem as informações precisas e corretas acerca das mudanças climáticas em curso. Minha manifestação aqui bem como nos fóruns em que tenho participado pode está sendo entendida como uma heresia descabida. Não me importo.

Expresso, todavia, a minha admiração pelo teu esforço e ética jornalística, em solicitar-me algumas informações acerca destes episódios climáticos cujo desfecho, na minha modesta opinião, culminará, irremediavelmente, com a extinção da raça humana na terra. O fato é que não se pode, diante das informações científicas, concordar com a avalanche modista da mídia burguesa e dos neocolonizados que a reproduzem bem como das ONG's comprometidas com o capital internacional da nova era.

O rio Acre assim como alguns rios da Amazônia já tiveram seu curso comprometido em tempos passados e talvez alguns deles o serão novamente em futuro muito pouco mensurável, visto que estamos falando de combinações de formas e processos geomorfoclimáticos. A mesma assertiva podemos fazer para a floresta de mesmo nome.

Há aproximadamente 20.000 anos ap (antes do presente) o clima na terra tornou-se úmido, com significativo avanço das calotas polares em direção ao continente e conseqüente retenção de grande quantidade de água no pólos. É o que chamamos de último máximo glacial. Nesta mesma época, no Brasil, o oceano atlântico recuou mudando substancialmente o nível de base geral, causando profundas alterações no perfil longitudinal dos rios (mais energia, mais erosão, mais transporte de sedimentos etc), transformando-os em rios mais estreitos e profundos.

A dinâmica geoambiental na região que hoje conhecemos como Amazônia respondeu com um clima de características semi-áridas (precipitações fortes, mal distribuídas e escassas), criando-se condições para o aparecimento de uma vegetação de gramíneas e arbustos e uma fauna gigante, conforme mostrei aos meus alunos por ocasião dos trabalhos de campo na savana beniana (Amazônia Boliviana) e os fósseis de mamíferos existentes no laboratório de paleontologia da Universidade Federal do Acre.

Nesta ocasião a floresta recuou, confinando-se em refúgios, dando lugar a uma vegetação de savana. Passados aproximadamente 10.000 anos ap (antes do presente) o processo ocorreu de forma inversa, gerando um estado chamado de biostasia, (condições geomorfoclimáticas) para o desenvolvimento pleno da floresta, dando origem as paisagens geoecológicas que hoje conhecemos como Amazônia. Essa é uma realidade científica inexorável.

A grande diferença entre estes momentos geoclimáticos é que naquele o homem não dispunha de ferramentas capazes de monitorar tais acontecimentos. Nestes últimos 100 anos (1900 – 2000) constatam-se os aumentos de temperatura e de nível oceânico, através de medidas instrumentais.

Em relação às previsões para o ano 2100 são admitidos valores crescentes proporcionais, por exemplo, de gases estufa que serão exalados à atmosfera em consonância ao incremento populacional da terra, conforme relatório da ONU publicado recentemente. Nessas ocasiões o efeito estufa, principalmente em razão do dióxido de carbono (CO2), tem sido considerado o "maior vilão" do aquecimento global cuja interpretação tem sido como totalmente antrópico (indústrias, desmatamento, urbanização, estado do bem estar social, queima de combustíveis fósseis etc).

Quanto a isso é oportuno lembrar que, se não ocorresse 0,034% de CO2 na atmosfera, a temperatura atmosférica mundial da terra cairia para -18ºC e não +15ºC que é a existente, isto é, haveria um decréscimo de 33ºC. Por outro lado, como no fim do século XIX terminou a pequena idade do gelo, que durou algumas centenas de anos, é muito provável que o aumento da temperatura entre 1900 a 2000 (medida por instrumentos ao longo de todo o planeta terra) tenha sido inteiramente NATURAL e NÃO PRINCIPALMENTE ANTRÓPICO, devido à revolução industrial ocorrida também neste período.

Além disso, as causas naturais das mudanças climáticas, que são numerosas e atuam conjuntamente, combinando-se, em diversas escalas temporais e espaciais agem em CICLOS de 11 anos (são as chamadas manchas solares) até mais de 90.000 anos.

Portanto, as causas e conseqüências das mudanças climáticas ainda não estão suficientemente compreendidas, posto que são demasiadamente numerosas e, além disso, CÍCLICAS e, ao mesmo tempo, interagem com as causas antrópicas (desmatamento, urbanização, industrialização, evolução técnica etc) cujos efeitos apresentam também fenômenos de retroalimentação.

Porém, o mais importante é nos apropriarmos do conhecimento pleno do que realmente está acontecendo para evitarmos que as fontes energéticas ditas alternativas, não sejam direcionadas para o domínio da Neoburguesia verde mundial.

Com os meus cumprimentos,
Jairon Alcir Santos do Nascimento

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