PITTER LUCENA

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quarta-feira, setembro 27, 2006

O ACRE E O IMPÉRIO INCA

Alceu Ranzi

Por mais de 300 anos, tendo como capital Cuzco, os Incas reinaram sobre uma região com mais de dois milhões de quilômetros quadrados. O Império acabou abruptamente logo depois da chegada dos Conquistadores Espanhóis.

O coup de grâce para o Império Inca foi a execução em 26 de julho de 1533, na cidade de Cajamarca, do Imperador Atahualpa, enquanto indefeso e refém de Francisco Pizarro. A morte do Inca Atahualpa é uma das páginas mais sórdidas de assassinato, rapina e conluio entre os agentes da Igreja Católica e dos representantes da Coroa Espanhola.

A região do Estado do Acre compreende as terras brasileiras mais próximas do antigo Império Inca, também conhecido como Tawantinsuyu. Os rios Acre, Iaco, Purus, Chandless, Juruá, Breu e outros são compartilhados, em parte de seus percursos, pelo Brasil e Peru. Não há razões para duvidar que estes rios tenham sido utilizados pelos Incas. Vale lembrar que a cidade de Cuzco e as ruínas de Machu Pichu, embora nos Andes, estão situadas dentro da rede de drenagem da Bacia Amazônica. É importante notar que o Urubamba, o rio sagrado dos Incas, é um dos formadores do grande sistema Ucayali/Solimões/Amazonas.

De acordo ao menos com um texto-khipu, durante o reinado de Topa Inca Yupanqui (?1470-1493?), sucessor de Pachacuti, aconteceu a conquista de Paucarmayo, área situada nas terras baixas do oriente incaico. Um texto-khipu é composto de vários cordões e nós, também chamado de kipu, era a forma que os Incas usavam para o registro de eventos importantes.

Outras fontes, como alguns mapas do Século XVI, indicam que Paucarmayo seria o atual Rio Madeira (e.g. Peruviani Regni Descriptio - Cornelis van Wytfliet - 1597). Com esta possibilidade fica colocada a seguinte questão: Teriam os Incas, em sua expansão imperial, atingido as terras brasileiras? Podemos responder dizendo que grandes são as possibilidades, embora poucas sejam as evidências. Ainda não há provas suficientes para afirmar que os Incas ocuparam terras hoje pertencentes ao Brasil.

Por outro lado existem provas concretas de que o Império Inca, com sua capital em Cuzco, se estendeu desde o Equador até o norte da Argentina, abrangendo grande parte do Peru, da Bolívia e do Chile.

Digno de registro é que recentemente arqueólogos Bolivianos e Finlandeses localizaram uma fortaleza Inca próximo da cidade de Riberalta, na confluência dos rios Beni e Madre de Dios. As escavações na fortaleza de Las Piedras, em Riberalta, revelaram a ocorrência de cerâmica Inca. Entre a cerâmica encontrada destaca-se um vaso característico para cerimônias tipo keru. Keru é o vaso sagrado Inca, símbolo da força magnética e sexual da mulher. Em Las Piedras foram encontrados outros vasos, similares daqueles provenientes de escavações em templos, cemitérios ou aldeias de cultura Inca. Disto tudo pouco é conhecido e divulgado, porém muito próximo da fronteira brasileira.

No Acre temos algumas evidências onomásticas, como exemplo marcante o hidrônimo Iaco (Yaku), palavra de origem Quéchua, a língua dos Incas. O significado de iaco é simplesmente água. Seguindo a mesma linha de observação, temos no Acre os igarapés Tamboriaco e Shamboiaco.

Outras fontes indicam a possibilidade de que o lendário Paititi, estaria localizado, além do Paucarmayo, o que poderia indicar segundo o arqueólogo finlandês Martti Pärssinen, as terras altas do Planalto dos Parecis ou Pacaás Novos, próximo da confluência dos rios Mamoré e Guaporé, na fronteira Brasil/Bolívia.

Segundo a Enciclopédia Virtual Wikipedia, Paititi seria a legendária cidade perdida dos Incas que estaria situada ao leste dos Andes, escondida em algum lugar nas remotas florestas do sudeste do Peru, norte da Bolívia e noroeste do Brasil. Esta indicação nos remete para a região conhecida atualmente como MAP ou Madre de Diós (Peru), Pando (Bolívia) e Acre (Brasil).

Geólogos do DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) afirmam da existência de muros de pedra nos altos de uma serra, em Rondônia, com vista para o Rio Madeira. A região é conhecida como Serra da Muralha. As informações prestadas pelos geólogos foram confirmadas por arqueólogos. Os últimos são os profissionais habilitados a responder a questão da origem cultural dos muros de pedra do Rio Madeira.

Estes muros provariam a conquista de Paucarmayo? As terras do Acre e Rondônia fariam parte do Antisuyu, a Terra do Leste do grande Império Inca também conhecido como Tawantisuyu? Considerando que as fontes históricas são poucas e não confiáveis e faltam evidências arqueológicas para afirmar seguramente da presença dos Incas no Brasil, as respostas para estas questões poderiam ser buscadas através de pesquisas interdisciplinares envolvendo arqueólogos, geógrafos, historiadores e outros especialistas no tema. Seriam estes muros, em terras brasileiras, evidências de fortalezas Incas?

Alceu Ranzi é paleontólogo na Universidade Federal do Acre

2 Comments:

Anonymous Ma2012 said...

Tudo está indubitavelmente interligado... A Crônica de Akakor e Tatunca Nara.

12:23 PM  
Anonymous Cleiciane said...

Segundo uma reportagem que li, que não é muito confiável, o Iphan registrou a Serra da Muralha como algo da época colonial. Algo que eu particularmente duvido.

A verdade é que faltam pesquisas sobre o assunto para comprovar ou refutar tais hipóteses.

Farei um esforço para conseguir trabalhar na Serra da Muralha.

7:37 PM  

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