PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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terça-feira, outubro 16, 2007

VIOLÊNCIA SITIA RIO BRANCO

Andrey foi executado com três tiros quando saia de uma festa em Rio Branco.

É impressionante o alto índice da violência urbana na capital do Acre. Nos finais de semana os números de homicídios, latrocínios, acidentes de trânsito e tantos outros crimes, estarrecem a sociedade que nos últimos anos vive sob o domínio do medo, da insegurança. O cidadão quando sai para o trabalho não sabe se no final do dia estará em casa novamente. A violência tomou conta do Acre e, de Rio Branco, principalmente.

Não adianta implantar “lei seca” para reduzir a criminalidade que assola nos quatro cantos da cidade. Nos jornais diários sangue de pessoas inocentes estampa as manchetes. Resta-nos a dor e a indignação. A dor de perda de nossos amigos e parentes. A indignação da atuação do aparelho de segurança pública deteriorado, recheado de policiais despreparados, viaturas quebradas, falta de combustível e, pasmem, até cassetetes a Polícia Militar do Acre está em carência. Está na hora, ou melhor, passando da hora, dos órgãos de segurança do Acre repensar o conceito SEGURANÇA PÚBLICA.

Todos os dias inocentes são assassinados. Recentemente, madrugada de segunda-feira (15/10), mais um inocente tomba assassinado com três tiros quando saia de uma festa num conhecido bar em Rio Branco: o Flutuante. Andrey como era conhecido pelos amigos, foi alvejado ao chegar ao carro de sua propriedade na rua principal do bairro da Base. Não teve tempo de reação, muito menos de qualquer defesa. O criminoso atirou a sangue frio para roubar alguns objetos pessoais, o que nos leva a crer que a vida para esse tipo de gente, se é que é gente, não vale mais nada. Repetindo: Está na hora, ou melhor, passando da hora, dos órgãos de segurança do Acre repensar o conceito SEGURANÇA PÚBLICA.

Transcrevo agora matéria do jornal Folha do Acre de segunda-feira. Dos sete corpos que deram entrada no Instituto Médico Legal de Rio Branco, um deles era do meu amigo Andrey. A pergunta que não quer calar: até quando vamos continuar vivendo sob os auspícios da violência, da marginalidade, da morte?

Estudante de medicina assassinado no centro da cidade
Sete corpos deram entradas ao IML durante o final de semana. Um assassinato bárbaro ocorrido na madrugada de segunda-feira, em frente ao Bar Flutuante, bairro Base, centro da cidade quando o estudante de medicina Éliton Andrey Batista Roque, 33, foi assassinado a tiros dentro de sua camionete vermelha de placa MZQ-7860.

Com dois tiros no tórax e um no coração, Éliton Andrey Batista Roque foi executado na madrugada de ontem. Ele cursava medicina em uma universidade de La Paz, Bolívia.

Membro de família tradicional de Rio Branco, Andrey curtia as férias e retornaria a La Paz ontem. A polícia trabalha com a hipótese de assalto seguido de morte, pois existem informações de que dois cordões de ouro e de prata desapareceram.

O sargento Paulo Silva disse que, por volta de 1h10, ele e seus comandados passavam com uma viatura no calçadão da Gameleira quando ouviram os disparos do outro lado do Rio Acre.

Deslocaram-se imediatamente para a Rua Barbosa Lima, proximidades do estacionamento do Bar Flutuante, no bairro da Base, e encontraram Éliton Andrey sem vida na D-20.

Alegria de viver
Conheci Andrey em novembro de 2006 no restaurante Papinha em Rio Branco. Na ocasião disse-me que tentava uma bolsa de estudos numa faculdade de medicina em La Paz, Bolívia. Sempre alegre e brincalhão conversava com todas as pessoas que estavam no local. Não tinha inimigos, pelo contrário, muitos e muitos amigos. Era um camarada muito querido por todos, pela sua alegria de viver e enfrentar a vida. Para ele não havia tempo ruim. Havia esperança e sentimentos cheios de beleza. Sonhava em ser médico para, segundo ele, ajudar os mais necessitados. Sua vida, curta vida, sempre esteve marcada pela a utopia de um mundo melhor.

2 Comments:

Blogger Unknown said...

"Alegria de viver"!
Pitter, me emocionou tua direta descrição do Andrey! Pura verdade!
Me alegra ter sido a ponte desse encontro tão feliz!
Eternas lembranças e muita saudade com anseios de justiça!

Abraços pra ti, maninho!

Djallene Rebêlo
Rio Branco - Acre

12:19 PM  
Anonymous Anônimo said...

Pequeno e emocionante texto sobre o Andrey. Violência...
Palavrinha que faz parte do nosso cotidiano, infelizmente. Parece selva, barbarie... guerra civil declarada. E o pior: nessa selva, é humano que mata humano, quando deveriam ser irmãos...

Soube que fui sequestrado aqui em Brasília?

5:49 AM  

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