PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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terça-feira, novembro 13, 2007

ANDARILHOS DO TEMPO

Quem não gostaria de conhecer o mundo, dar uma volta ao redor da Terra e, na medida do possível, conhecer Marte, o planeta vermelho? Pois é, diante dessas perguntas básicas, vem-me a recordação das longas viagens do passado, onde o horizonte era apenas uma referência do destino a ser seguido.

De mochila nas costas, à margem da estrada, os caroneiros não se cansam do calor do sol, do frio, da chuva e de tantas outras intempéries. Com o dedo polegar em riste, o mochileiro espera com paciência o empurrão de uma carona para seguir viagem.

Os andarilhos do tempo sentem, na leve batida do vento no rosto, o ápice da liberdade. Em cada curva de estrada, de um rio, em cada cidade, uma história nova para contar. Sem compromissos com o passado, nem com o futuro, vivem o presente, vagando pelo mundo em busca do desconhecido. No entardecer de mais um dia, diante do crepúsculo pintado por mãos divinas, os caçadores de aventuras admiram a presença de Deus.

Vida de viajante solitário não é nada fácil. As dificuldades são muitas, mas o desafio da superação dos obstáculos transforma o caminhante num homem forte e resistente. A fome e a sede, muitas vezes, chegam a assustar. Entretanto, o equilíbrio da mente e a vontade de vencer não deixam os problemas virarem agonia. Acreditar em si mesmo e em Deus, o Todo Poderoso, faz com que as barreiras sejam destruídas e os inimigos aniquilados.

Eles não têm casa, moram no mundo, tendo como relógio o tempo. Passeiam pela vida em busca de algo novo que possa revelar o sentido da existência humana. Nessa caminhada sem destino certo cruzam oceanos, desertos e florestas. Eles não buscam a fórmula da felicidade, procuram a essência de uma vida feliz.

Tendo o chão como sua cama e o céu como teto, eles caminham sob o atento olhar das estrelas e da lua, protetoras dos que renunciaram ao estresse urbano das selvas de pedra para viverem em harmonia com a mãe natureza.

Isolados pelo mundo, muitas vezes tendo como companhia a solidão de uma noite fria, bate no peito um sentimento de saudade da família e dos amigos. O coração chora, derrama dos olhos a dor da distância que se mistura ao orvalho gelado da madrugada. Nesse momento, o andarilho solitário se pergunta por que está ali. A resposta, sempre imediata, que lhe assusta o raciocínio fala alto: é por que precisa conhecer o desconhecido do mundo, só assim, talvez, possa entender os segredos da vida.

Quando o dia amanhece, agradece a Deus pelo sol que lhe aquece o corpo, observa o horizonte e parte caminhando lentamente, levantando pequenas nuvens de poeira, pisando pedras sobre pedras, sabendo que a resposta que procura está à sua frente.

É de passo em passo na estrada da ilusão que o homem vai se descobrindo. De coração aberto para receber o novo, ele percebe que as mudanças necessárias para mudar o mundo não estão distantes de serem alcançadas, estão dentro de si mesmo.

Diante das reflexões feitas, o andarilho parte novamente numa viagem cósmica, mirando as cores do arco-íris, tentando encontrar o caminho da felicidade: a passagem secreta para Deus.

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