PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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segunda-feira, agosto 14, 2006

PRÊMIO PINÓCHIO

Começou a sessão baixaria na televisão. De Norte a Sul do País a televisão será invadida por seres estranhos chamados de candidatos. Não se assuste caro leitor, muitos aparecem de quatro em quatro anos, outros de dois em dois. O linguajar utilizado para pedir o voto do eleitor é bastante diversificado. Alguns tentam se mostrar inteligentes. Soltam uma verborragia tão complicada que nem ele sabe o que fala. Outros não conseguem lembrar o próprio nome na hora da gravação, preferem dizer apenas: MEU NÚMURO É...

Não só de baixaria vive o horário do TRE. Há também o lado cômico. São candidatos que aparecem na TV como múmias, não falam nada, às vezes nem piscam os olhos. Os outros falam por ele. Mas estão lá, acreditam piamente que serão eleitos pela contagem que faz dos amigos, familiares e admiradores. Chegam até a comentar a quantidade de votos que terá nas urnas. Depois da eleição vem a sessão do choro. Os candidatos derrotados não entendem por que as urnas lhe traíram.

O horário político tem seu lado positivo. Menino danado fica de cabelo em pé, caso seja punido por alguma traquinagem, de ser obrigado a assistir os candidatos pedindo voto ou explicando seu programa de trabalho na televisão. É uma verdadeira tortura, mas funciona. Muito engraçado também é ver o candidato relatando sua história de vida e porque deve ser eleito. Choram lágrimas de crocodilos quando lamentam as desgraças que a vida lhe pregou. MEU NÚMURO É...

Tem ainda os candidatos que querem levar vantagem em tudo. Chegam a fazer discurso em velório de desconhecido afirmando que era seu melhor amigo. Tendo crise de choro, conforta a família do defunto com palavras da Bíblia, dando certeza que o morto já está ao lado de Deus e, que a morte foi o chamado do Pai Eterno para uma vida melhor. Não perdendo a oportunidade distribui santinhos, pede voto e promete passagem para o céu depois de eleito.

Certa vez um candidato ia passando por uma rua quando percebeu um aglomerado de pessoas. Era um acidente de trânsito. Pensando rápido, correu em direção ao amontoado de gente na tentativa de ganhar alguns votos com seu ato de solidariedade. Chegou gritando: “parente da vítima, parente da vítima”. Com a gritaria as pessoas abriram espaço para o candidato solidário. Para o espanto do candidato, o acidentado não era uma pessoa, era um burro que fora atropelado por um carro. O “parente da vítima” saiu de fininho sob gargalhadas das pessoas que estavam no local.

Candidato é tudo igual, só muda de endereço. As mentiras, por outro lado, evoluíram muito. Certa vez Monteiro Lobato disse que uma nação se faz com homens e livros, mas no período eleitoral, pode-se afirmar que um país se faz também com caras-de-pau e mentirosos. Nunca se mente tanto nessa época, até parece que vivemos num eterno primeiro de abril.

São mentiras para aumentar a credibilidade em torno de personalidades que não merecem mais o mínimo respeito por já terem mentido tanto ao povo e ao país. São as mentiras deslavadas, deletérias, com segundas e terceiras intenções para ludibriar a opinião pública. Mentiras com desfaçatez para obter dividendos políticos, ganhar eleições, se manter no poder e ironicamente se fazer parecer que é correto, honesto e leal, quando quem o diz é exatamente o contrário.

Como institucionalizaram a mentira, só falta criar o decreto da mentira, já que quem mente neste país não é punido, pelo contrário, é premiado. Devia ser criada a medalha de honra ao mérito Pinóchio, para agraciar os maiores caras-de-pau do ano. A entrega do troféu deveria durar um mês diante de tanta gente agraciada.

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