PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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segunda-feira, agosto 07, 2006

É CANTANDO QUE A GENTE SE ENTENDE

Mesmo morando longe do Acre não consigo ficar em paz se não souber o que está acontecendo diariamente naquele pedaço de chão abençoado por Deus e bonito por natureza. Todos os dias, como se fosse um ritual, entro nos jornais diários e fuço a comunidade blogueira acreana para saber as novidades. Numa dessas fuçadas soube notícias do velho amigo Sérgio Souto, um dos maiores compositores do Brasil e acreano do pé rachado, lá de Sena Madureira, a cidade do mandim. Morando no outro extremo do Brasil, (Rio de Janeiro) Sérgio, o Souto, nunca abandonou suas origens seringueiras.

Sérgio é daqueles camaradas que, como cantou Milton Nascimento, “a gente guarda do lado esquerdo do peito” com muito orgulho e prazer. Foi nesses encontros que tivemos em Rio Branco, na década de 90, que proseamos sobre um pouco de tudo: música, poesia, Amazônia, nossa aldeia...

Como bons discípulos de Baco, nossos papos noturnos sempre foram regados de uma boa “loira gelada” e companhia de grandes amigos. Não esqueço, certa vez depois de um show no Teatrão, saímos para a noite jogar conversa fora e admirar as belezas do nosso lugar. Aquela noite, literalmente, foi uma criança para os amantes da boemia que tinham tanto para falar de amor e poesia.

Lembro que naquela noite tínhamos a companhia do poeta e compositor, Paulo César Pinheiro e, do violonista Maurício Carrilho, que vieram do Rio de Janeiro fazer o show “É cantando que a gente se entende”, título do novo CD que Sérgio Souto havia acabado de lançar no Acre. Ainda fazendo parte da mesa estava Luis Celso, carioca de boa cepa, que à época era delegado executivo do Sesc. A noite não poderia ter sido melhor.

Tempos depois Sérgio Souto me procurou para fazer as fotos que iriam ilustrar seu novo CD que estava sendo produzido no Rio de Janeiro. De pronto aceitei a tarefa marcando o dia para captar imagens que interagissem o artista e seu lugar. Com duas câmeras fotográficas, trabalhando com diapositivo e negativo, passamos um dia inteiro passeando pela nossa aldeia, tendo como barulho mais comum o disparo de mais uma imagem congelada do homem, seu violão e a natureza, nossa fonte principal de inspiração.

Após mais de oito horas de cliks fomos bebericar umas e outras na casa de Ilzamar Mendes, viúva do ecologista Chico Mendes, sua amiga particular desde a década de 80. Depois de um bom papo com Ilzamar e as crianças Sandino e Elenira, fomos terminar a cerveja na varanda da minha casa.

Passados vários meses Sérgio Souto me telefona avisando que o CD estava pronto e o lançaria no Acre o mais breve possível. Fiquei alegre com a notícia, mais ainda porque meu trabalho fotográfico estaria naquela nova obra musical.

Quando encontrei Sérgio, um mês depois, tive uma grande surpresa. A foto que ilustrava a contra-capa do CD era dele sim, mas segurando uma garrafa de cerveja Antártica. Perguntei o que havia ocorrido com as fotos que fizemos. Ele me disse: “as fotos ficaram boas mas não pagavam os custos finais do CD”. Está certo, disse a ele, e saímos para papear e tomar algumas no Casarão.

Minha aldeia
Sérgio Souto e Amaral Maia

Terra da graça. Sol da Amazônia
Seio da vida, hossana
Mística flor cristalina
Índia menina.
Pele de mel transparente
Alma, calor, corpo quente
Raça de muita fé e paixão
Minha aldeia.

Rasgando a noite o luar prateia
As águas turvas do rio
Mágica luz dançarina
Planta latina
Prima do verde selvagem
Irmã de todas as estrelas
Filha de paiquerê todo ser
Minha aldeia.

Ponta da Pátria que Tupã clareia
Ave nativa verdade
Da fruta doce que invade
Os teus quintais.
Serena mata brilhante
Berço de pura semente
Sangue no coração, muito amor
Minha aldeia.

Ipurinã chamou Aquiri
E viu o céu beijar Juruá
Chama da liberdade
Nunca vai se acabar
Em Xapuri cantou Jaçanã
Iara ouviu em Tarauacá
Santa mãe natureza
Nunca vai se acabar.

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