PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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terça-feira, maio 12, 2009

MARRAPAIZ, SER OU NÃO SER?

Quem chega à Rio Branco, capital do Acre, fica surpreso com um grande número de expressões faladas que o camarada fica abobado, abestalhado para se acostumar. Entre elas está o Marrapaiz, genuinamente acreana como sua gente. Puro sangue. Não tem nada igual. Para se ter uma idéia, quando um bruguelo nasce sem problema no parto e, perguntado para a mãe se foi tudo bem, em vez de chorar, o moleque solta das entranhas, orgulhoso de ser acreano um Marrapaiz. Está no sangue, na essência. A palavra vem antes do berço e a este vale de lágrimas.

Marrapaiz faz parte, com orgulho, do nosso acreanês. Um dicionário escrito por acreanos para que turistas do mundo inteiro, em visita ao Acre, não tenham problemas de comunicação com o linguajar da taba, sem frescuras ou reclamações. Marrapaiz é exclamado para tudo que é bom, de belo, de que tudo deu certo ou dará.

Acreano do pé-rachado, assim como eu, não vive sem o Marrapaiz no seu cotidiano. A expressão está em todos os lugares de forma positiva. Vale para responder como foi a noitada anterior. No mínimo, se foi boa, lasca-se um Marrapaiz no ouvidor de rádio do perguntador e pronto. Com certeza ele entendeu muito bem a mensagem. O Marrapaiz é tipo água da fonte que sai correndo para o mar e, pelo caminho, vai encontrando novos adeptos pela palavra.

O Marrapaiz se usa em todas as ocasiões. Nos momentos da Alcova com a mulher amada ou não, numa batida de carro, num passeio alegre, num salto de paraquedas, no tribunal, na igreja, no boteco da esquina, na conversa com seu cachorro. Por exemplo: se você deu comida para o au au e ele fica pedindo mais, você fala “Marrapaiz tu acabou de encher o bucho”. Pronto, ele vai entender que não tem mais gororoba para botar prá dentro.

No início de um namoro: “Marrapaiz como você é linda”. Com esse lisonjeio no pé-da-lata, no mínimo, o romance vai continuar até que a morte separe os pombinhos. Num velório, outro exemplo, o cabra morreu de morte matada, os amigos dizem: “Marrapaiz ele era tão boa pessoa”, o falecido era um bandido. O que importa é entonação.

Marrapaiz está na alma. Defendo com unhas e dentes que seja verbete brasileiro, evidentemente. Imagine William Shakespeare, em Hamlet, gritar “Marrapaiz, ser ou não ser, eis a questão. Será mais nobre em espírito de viver...”.

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2 Comments:

Anonymous leo said...

assim como na bahia -aonde é não
em brasilia camelo é bicicleta
agora a galera ta sabendo o que é
..MARRAPAIZ........RSRSRSRSKKKKKKK!!!!

2:12 PM  
Anonymous Caio Martins said...

Marrapaiz!!! coisa de gente grande, essa. Lucena, cata todas tuas histórias do ACRE, enfileira e manda pro prelo... Será sucesso absoluto, tenho certeza.

Abração, no fim de semana vai para a cabeça do Prosa e Verso de Boteco.

7:24 PM  

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