PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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quarta-feira, junho 04, 2008

O Estado do Acre: Uma História de Lutas para a Floresta

Um Novo Povo na Amazônia Ocidental: Os Seringueiros

A partir da segunda metade do século 19, o crescimento da demanda industrial nos EUA e na Europa para látex natural ou borracha fez surgir um novo povo da floresta, os seringueiros.

A Amazônia Ocidental, com sua região naturalmente rica em seringueiras (as árvores que produzem o látex natural), tornou-se um dos centros de produção mundial de borracha. Para atender a essa demanda internacional, em 1877, iniciou-se a colonização da Amazônia Ocidental, incluindo o atual Estado do Acre (Souza 2002). Barões da borracha de origem brasileira, boliviana e peruana (chamados de seringalistas) estabeleceram-se na região (Hecht e Cockburn 1990; Serier 2000) e adquiriram grandes áreas de floresta, chamadas de seringais, sob o princípio de utis possedetis (direito de posse) (Bakx 1988; Hecht e Cockburn 1990).

Os seringalistas procuraram os índios para abrir seus seringais e cortar a seringa. Contudo, em virtude da forte resistência dos indígenas, das fugas e da morte de muitos deles, os seringalistas decidiram trazer mão-de-obra de fora da região (Hecht e Cockborn 1990). Os primeiros seringueiros vieram principalmente do Nordeste brasileiro, motivados pelos preços altos da borracha nos mercados internacionais e pela necessidade de fugir da seca (Souza 2002).

Os seringueiros viviam espalhados na floresta. Os seringais consistiam de “colocações,” as unidades principais de produção dos seringueiros, compostas de casas isoladas e dispersas na floresta, cada uma com suas próprias estradas de seringa. A grande distância desses seringais dos centros urbanos permitiu aos seringalistas impor um forte controle e exploração de mão-de-obra (Weinstein 1983).

Nos anos 1920, a queda nos preços internacionais da borracha, graças à produção mais barata dos seringais de cultivo na Malásia, quebrou o monopólio da borracha da Amazônia, resultando na falência dos seringais. Uma grande parte dos seringalistas abandonou seus seringais e os seringueiros (Wolff 1999). Como conseqüência, os seringais se transformaram em unidades produtivas mais complexas, visto que houve um crescimento na agricultura de subsistência e uma intensificação na colheita e venda de castanha e de peles de animais silvestres (Neves 2003). Assim, iniciaram-se “as primeiras experiências de manejo dos recursos florestais acreanos” (Neves 2003: 17).

A Segunda Guerra Mundial proporcionou um breve período de prosperidade da borracha. Pela segunda vez, de 1942 a 1945, nordestinos migraram para a Amazônia Ocidental como “soldados da borracha”. Porém, após a guerra, os preços internacionais da borracha caíram e, mais uma vez, os seringueiros encontraram-se abandonados na floresta.

No início da década de 1970, iniciou-se uma nova ocupação da Amazônia e do Acre por imigrantes vindos do Sul do país, atraídos pelas terras baratas e por grandes projetos mineradores, madeireiros e agropecuários promovidos pelo governo militar.
Fonte: http://www.imazon.org.br/

1 Comments:

Blogger Isaac Melo said...

Caro Pitter,
Desculpe-me por não ter visitado seu blog antes, é que fiquei sabendo agora. Você sabe que tenho grande estima por aqueles que mesmo longe levantam a voz pelo nosso venturoso Estado do Acre. Parabenizo-o pelo blog e conte sempre com este aqui.
Receba meu forte abraço e votos de grande estima.
Fraternalmete,
Isaac Melo
do Blog Alma Acreana

2:25 PM  

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