PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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terça-feira, abril 22, 2008

Acreano é destaque no aniversário de Brasília

CHICO ARAÚJO

BRASÍLIA – A edição desta segunda-feira, 21, do jornal Correio Braziliense publica um caderno especial em homenagem aos 48 anos de Brasília. Em Brasília, Brasis o jornal traz, em 36 páginas, depoimentos de personalidades de todos os Estados que escolheram Brasília para viver.

Dois mil acreanos moram na capital do País. Entre estes há políticos, ministros e gente influente na corte. Porém, nenhum deles figura entre os personagens destacados pelo Correio. O escolhido foi Francisco Chagas Freitas, acreano das barrancas do Rio Murú e funcionário do Itamaraty há 33 anos.

Chagas Feitas, como é conhecido dos acreanos, já viveu em diversos países, mas escolheu Brasília para morar. Aqui, mesmo dentro de suas limitações, sempre tem tempo para atender aos acreanos que o procuram, ou mesmo indicá-los para feiras e congressos no exterior. “Quando alguém do Acre chega e me procura, sempre estou às ordens”, diz Chagas, com a presteza que lhe é peculiar. A matéria é assinada pelo repórter Pedro Brandt. Nela, Chagas, além de falar da sua vivência em Brasília, estimula os leitores a conhecerem o Acre. A seguir, a reportagem do Correio:

Por muito pouco Brasília deixaria de fazer parte da vida de Francisco Chagas Freitas. Acreano nascido no seringal de Itamaraty (próximo de Tarauacá), em 1955, ele queria mesmo era ir para o Rio de Janeiro. “Encontrei um conterrâneo no caminho que me convenceu a vir para cá. Disse que a cidade oferecia mais oportunidades”, lembra. Assim, depois de cinco dias de viagem de ônibus (dois deles atolado entre Rio Branco e Porto Velho) com muita poeira e lama pela estrada, ele chegou à capital federal. Era 1975. E não se arrependeu da escolha. Hoje divulga a cultura do Acre não só no Brasil, mas também no exterior. Quanto ao Rio de Janeiro, só foi conhecer 10 anos depois de chegar a Brasília. “Coisas da vida”, diz.

Chagas Freitas, como é mais conhecido, veio para estudar. Fez economia na Universidade Católica de Brasília (UCB) e depois pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Há 33 anos é funcionário do Itamaraty, onde atua no setor cultural. Aqui construiu sua base de vida e moradia, mas ao longo das últimas décadas trabalhou em embaixadas em diversos países. Só na Alemanha (a Oriental, na época) foram sete anos, de 1984 a 1991. Ele é casado com uma brasileira que conheceu lá, e a volta ao Brasil se deu por conta da queda do Muro de Berlim.

No país germânico, começou sua coleção de obras de arte. “Conheci a Europa Oriental toda. Comprei muita arte no mundo comunista”, lembra. Cerca de mil itens (quadros, esculturas, desenhos) fazem parte de seu acervo atual. Parte dele já foi tema de exposição (Além do muro, que passou por galerias de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro). Além de arte estrangeira, Chagas também possui trabalhos de artistas acreanos renomados, como Hélio Melo, Dalmir Ferreira e Maqueson Pereira da Silva.

Mais velho de 11 irmãos, ele trouxe parte da família para Brasília. “Só três dos meus irmãos ainda estão lá. Meus pais, que são idosos, com problemas de saúde, também estão aqui, conta. A presença dos parentes na cidade não é motivo para o economista se manter longe do Acre. Chagas é o responsável por indicar artistas para exposições em outras cidades e países e pela ida de estudantes para diversos eventos também no exterior. “Os artistas de lá não recebem apoio governamental. Muitos saem do estado e não voltam”, comenta.

Chagas ama sua terra natal. “O brasileiro precisa conhecer o Acre. Por ser um estado distante, só vai pra lá quem tem negócios para tratar. Talvez por isso, sejamos um povo acolhedor”, elogia. “Não somos modistas (não seguem tendências), mas também não somos bairristas. Acho que temos um ritmo diferente”, continua.

Da culinária local, ele destaca a farinha. “Quando vou viajar para o exterior, o pessoal de fora sempre me pede para levar farinha. Certa vez, em Portugal, fui detido no aeroporto. Pensaram que era outra coisa. Levou algum tempo até tudo ser esclarecido”, ri. Se a saudade do Acre aperta, Chagas diz que não tem erro: é só convocar alguns conterrâneos para um jantar. A internet e os jornais também ajudam a manter contato com o estado.

Pelo trabalho, Chagas poderia escolher morar em outra cidade, mas escolheu Brasília. Mais especificamente, a 308 Norte. “É um lugar encantador. Gosto da sensação de liberdade que sinto aqui, é um lugar onde você se locomove com facilidade e onde mesmo sem esquinas, todos se encontram".

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