PITTER LUCENA

Jornalista acreano radicado em Brasília

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quinta-feira, julho 13, 2006

QUERO SER IMORRÍVEL

Não há dúvidas de que no Acre tudo pode acontecer e, realmente, acontece. Não é a toa que Rio Branco, a capital acreana, continua sendo uma terra de muro baixo onde todo mundo sabe da vida dos outros. Não é a toa também que, o Acre já foi a terra do já teve. Já teve muita coisa, inclusive bondinho na cidade de Sena Madureira. Mas, como tudo muda e, lá as coisas mudam mesmo, agora escrever uma tese dá o direito de ser imortal na Academia Acreana de Letras. Realmente o acreano é enjoado. Sofre mas goza como diz o Macaco Simão. Eu também quero porque não sou burro.

Quero ser imortal e ponto final! Vou juntar as besteiras que escrevi durante meus 20 anos de jornalismo para pelo menos ser imorrível. É isso mesmo, imorrível. Não quero entrar no mérito dos membros da Academia que querem a todo custo construir sua sede própria. É um direito deles que devemos respeitar. Agora vender uma cadeira da Academia para alguém que fez uma tese de doutorado com a promessa da construção dessa sede, ai são outros quinhentos. Estão vendendo a alma ao diabo sem precisar de troco.

Quem conhece o Acre assim como conheço, não tenho receio em afirmar que naquela terrinha abençoada, há um grande povo de coração maior ainda, cheio de histórias e estórias para contar. No Acre tudo realmente acontece. Vejamos alguns casos verídicos, segundo os mais saudosos que passaram dos 40 janeiros nesse vale de lágrimas. No Acre taxista dá carona, puta goza, traficante usa droga e por ai vai. É exatamente por essas disparidades que quero ser imorrível. Vou escrever receitas de alguma gororoba e pronto: estarei no páreo para vestir aquelas roupas de imorrível.

Rio Branco é um caso à parte. Não faz muito tempo que tinha uma loja chamada “Açucareira Rio Preto” que nunca vendeu um quilo de açúcar. Outra loja, a “Agroboi”, uma das maiores até hoje, nunca mexeu com agropecuária. Me disseram uma vez que, segundo tese, as mulheres do Acre são as mais quentes do planeta. Isso sabe por quê? Simplesmente porque bebem o Tacacá, uma bebida feita com jambú, uma erva que mastigada deixa a língua adormecida. Quem sabe, se escrever sobre o tacacá, poderei entrar no time dos imorríveis.

Brincadeiras à parte, não sou escritor mas tenho profunda admiração pela arte de escrever e, claro, de um bom texto. Um bom texto alimenta a alma, embora os meus sejam umas porcarias diante da minha forma de pensar. Mas, quem sabe um dia, seja lá que dia for, crio coragem e comece a escrever para, no mínimo, eu mesmo ler. A partir daí, eu leitor de eu mesmo, possa reivindicar uma cadeira de imorrível.

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